Que fizeste tu, para o dia ganhar?
Enganei aquele cigano
Na venda do cavalar
Já eu não posso assim dizer
No negócio tenho azar
Um sábio me houvera dito
Não és gente de comprar e vender
Feijões e tomates reguei
Tirei estrume do curral
Com a vizinha do lado
Conversa, pude trocar
Descasquei favas, remendei meias
Preparei rápido o jantar
Tratei do porco e das galinhas
Boa sesta pude repousar
Deixem-me ser como sou
Não sou eu que vou mudar
Faça eu o meu melhor
Para não vir a arrepender
Tenho pena dos que trabalham
Sei que metade vão dar
Para mim e para alguns
Que não querem trabalhar.
É bom viver na aldeia
Não dá tempo para atrofiar
Não falte em cada mês a peia
Para eu me governar
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Passagem de Ano...Almártega

A Passagem de Ano decorreu numa antiga casa restaurada, situada numa quintarola.
A convite da jovem aniversariante, fui com a cara-metade e a mais nova, porque o do meio foi até à Nazaré com os seus amigos dar as boas vindas ao Ano Novo.
Todos os convidados, organizados, levaram um pouco de tudo: fêveras, costeletas, chouriços, salsichas frescas, alheiras, camarão, várias bebidas e doces à farta. O caldo verde foi feito na hora e todos participámos na confecção dos grelhados. Ficámos bronzeados a seco pelo calor do braseiro, com o aspecto daqueles que apresentam o curral de móimas.
Divertimo-nos, comemos, bebemos sem exageros, e às doze badaladas, estávamos preparados com as passas e os pedidos para 2009.
A convite da jovem aniversariante, fui com a cara-metade e a mais nova, porque o do meio foi até à Nazaré com os seus amigos dar as boas vindas ao Ano Novo.
Todos os convidados, organizados, levaram um pouco de tudo: fêveras, costeletas, chouriços, salsichas frescas, alheiras, camarão, várias bebidas e doces à farta. O caldo verde foi feito na hora e todos participámos na confecção dos grelhados. Ficámos bronzeados a seco pelo calor do braseiro, com o aspecto daqueles que apresentam o curral de móimas.
Divertimo-nos, comemos, bebemos sem exageros, e às doze badaladas, estávamos preparados com as passas e os pedidos para 2009.
Atrás da casa, uma piscina natural onde todos estávamos dispostos a um mergulho mas, apesar da água não estar assim tão fria, apenas um teve a coragem de o fazer.
Passo a descrever a casa restaurada, porque vejo nela um estilo pouco vulgar: O exterior é original com telhado de duas águas; O seu interior é amplo; Um borralho ; A bancada de cozinha com a mesa, fogão e lava loiça, estão colocados ao centro, formando um único bloco; Ao fundo uma nova casa de banho; O quarto de dormir é aberto, ocupa todo o sótão, acessível através de uma bem estruturada escada de madeira; O tecto é rebocado e tem a forma do telhado .
Uma forma prática de restaurar o que é velho, tornando-o novo.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Jerop'Sicó2008
Roma e Pavia
Não se fizeram num dia!
Só posso dar a beber,
a provar, para o ano!
a provar, para o ano!
Jeropiga de Almártega
(Terras de Sicó)
Até lá...
está-se a fazer.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Ser Palhaço...Este Natal!
...Ser Palhaço...
É dar um abraço de alegria
A quem não tem
Fazer sorrir a tristeza
Afastar a noite
Nem que seja por um dia
É chorar,quando se não faz rir
Fazer doer o diafragma
Ou xixi nas calcinhas
É fazer ver a uma criança
O mundo real da fantasia
Ser foco das atenções
Centro universal de multidões
Encontrei-o um dia
Lavado em lágrimas à beira-mar.
- Porque choras meu Palhacinho?
- Roubaram-me as estrelas
Que um dia fiz sorrir
Hoje me faz chorar!
- A culpa não é minha
É do meu concorrente...
É dar um abraço de alegria
A quem não tem
Fazer sorrir a tristeza
Afastar a noite
Nem que seja por um dia
É chorar,quando se não faz rir
Fazer doer o diafragma
Ou xixi nas calcinhas
É fazer ver a uma criança
O mundo real da fantasia
Ser foco das atenções
Centro universal de multidões
Encontrei-o um dia
Lavado em lágrimas à beira-mar.
- Porque choras meu Palhacinho?
- Roubaram-me as estrelas
Que um dia fiz sorrir
Hoje me faz chorar!
- A culpa não é minha
É do meu concorrente...
...O Pai Natal...
domingo, 14 de dezembro de 2008
Amigos de Peniche
Num determinado sábado, um grupo de ex-combatentes no ultramar reuniram-se escolhendo desta vez um restaurante próximo de uma pequena aldeia no sopé do Sicó (mais uma vez a serra do Sicó). Comeram, beberam, divertiram-se e depois, já noite, o regresso a suas casas. Estes a que me vou referir, não percorreram mais do que uma dúzia de quilómetros, quando por razões óbvias o condutor, fora de si, travando bruscamente: "Ou saem vocês ou saio eu". Os que queriam continuar a festa pela noite dentro, olharam um para o outro e pensando a mesma coisa, saíram, e o condutor arrancou em grande velocidade, levando os casacos, documentação e dinheiro.
Sem qualquer orientação neste local estranho, dirigiram-se a uma pastelaria, que estava a fechar, beberam mais qualquer coisa e perguntaram onde poderiam encontrar quem os transportasse a Peniche. Indicaram-lhes uma casa a quilómetro e meio, e estes andando mais que essa distância foram a um café onde beberam mais um brandy cada.
Bateram à minha porta e ao abrir vi dois estranhos acompanhados com os meus vizinhos, e um frequentador do café. Num breve instante contaram todo o sucedido e pediram-me que os levasse à sua terra. Alguém por detrás acenava para que não o fizesse, e houve mesmo quem tivesse ligado à GNR, dando conhecimento da situação, o que responderam que não se justificava a deslocação a este local. Eu acreditei logo à partida que não estava na presença de dois malfeitores, talvez pelas suas idades, tive pena deles e pedi à minha esposa que me acompanhasse na viagem. Conversando pelo caminho, um deles pediu para contactar com a família, o que logo me disponibilizei fazendo a chamada em mãos livres e logo ouvimos a conversa. Pediu que os viessem busca a Leiria (metade do caminho) e assim aconteceu. Lastimavam-se do sucedido e comentavam entre eles. "Fulano para mim cortou! Nunca mais!
E quanto a você, fico muito agradecido por ter confiado em nós! Um dia que passar por Peniche, pergunte pelo pai das gémeas, que toda a gente conhece, e eu ofereço-lhe um cabaz de sardinha!"
"Obrigado amigo, não é preciso um cabaz, um quilo é suficiente e não deixarei de o procurar, quando passar por esses lados."
Este foi um caso excepcional, e tenho a certeza que os penichenses continuarão como sempre a ser amigos de toda a gente.
Está a fazer um ano, por esta altura do Natal, que este caso aconteceu.
Sem qualquer orientação neste local estranho, dirigiram-se a uma pastelaria, que estava a fechar, beberam mais qualquer coisa e perguntaram onde poderiam encontrar quem os transportasse a Peniche. Indicaram-lhes uma casa a quilómetro e meio, e estes andando mais que essa distância foram a um café onde beberam mais um brandy cada.
Bateram à minha porta e ao abrir vi dois estranhos acompanhados com os meus vizinhos, e um frequentador do café. Num breve instante contaram todo o sucedido e pediram-me que os levasse à sua terra. Alguém por detrás acenava para que não o fizesse, e houve mesmo quem tivesse ligado à GNR, dando conhecimento da situação, o que responderam que não se justificava a deslocação a este local. Eu acreditei logo à partida que não estava na presença de dois malfeitores, talvez pelas suas idades, tive pena deles e pedi à minha esposa que me acompanhasse na viagem. Conversando pelo caminho, um deles pediu para contactar com a família, o que logo me disponibilizei fazendo a chamada em mãos livres e logo ouvimos a conversa. Pediu que os viessem busca a Leiria (metade do caminho) e assim aconteceu. Lastimavam-se do sucedido e comentavam entre eles. "Fulano para mim cortou! Nunca mais!
E quanto a você, fico muito agradecido por ter confiado em nós! Um dia que passar por Peniche, pergunte pelo pai das gémeas, que toda a gente conhece, e eu ofereço-lhe um cabaz de sardinha!"
"Obrigado amigo, não é preciso um cabaz, um quilo é suficiente e não deixarei de o procurar, quando passar por esses lados."
Este foi um caso excepcional, e tenho a certeza que os penichenses continuarão como sempre a ser amigos de toda a gente.
Está a fazer um ano, por esta altura do Natal, que este caso aconteceu.
Feliz Natal para todos!
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Em tempo de crise...limpam-se as florestas
O suor salpica-me a pele, pico-me numa silva, numa moita que invadiram o pinhal. A roçadora não pára de gritar. Quase desanimo ao ver a extensa área, sufocada pelas giestas e pelo matagal.
Alguém pensou em plantar giestas junto à sua casa, e as aves e o vento cuidaram de fazer a florestação.
Os pais quando chegam à meia-idade doam os seus bens aos filhos, eu e a mana fizemos a escolha e agora tenho muito que fazer.
Conhecer as propriedades, as suas limitações, e manter dentro do possível as matas limpas.
Mas como limpar três hectares de floresta sem ajudas do governo, sabendo eu que o pequeno agricultor também está de rastos?
Faço o que posso e quando posso.
É difícil suportar um dia intenso de trabalho, porque não estou acostumado a estes caldos,
mas… se limpar cem metros quadrados de mata por dia, conseguirei levar a minha avante.
Sinto-me bem quando saio de casa para cheirar a natureza, transpirar, tomar banho e exclamar:
-Descansa que o teu dia está ganho!
Alguém pensou em plantar giestas junto à sua casa, e as aves e o vento cuidaram de fazer a florestação.
Os pais quando chegam à meia-idade doam os seus bens aos filhos, eu e a mana fizemos a escolha e agora tenho muito que fazer.
Conhecer as propriedades, as suas limitações, e manter dentro do possível as matas limpas.
Mas como limpar três hectares de floresta sem ajudas do governo, sabendo eu que o pequeno agricultor também está de rastos?
Faço o que posso e quando posso.
É difícil suportar um dia intenso de trabalho, porque não estou acostumado a estes caldos,
mas… se limpar cem metros quadrados de mata por dia, conseguirei levar a minha avante.
Sinto-me bem quando saio de casa para cheirar a natureza, transpirar, tomar banho e exclamar:
-Descansa que o teu dia está ganho!
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
A tragédia... o horror...
Vinte e sete de Novembro, pouco tempo depois de ter adormecido, cansado da noite escolar, vários estrondos no exterior acordaram-me. Olhei o relógio digital, eram uma e dez.
- Raios! Lá está mais uma vez o gado no camião do vizinho às patadas … lá em baixo os frequentadores do café, que já beberam um copito a mais… ou será algum caçador furtivo da noite?
Os estrondos subiam de intensidade, e de repente …Oh JoAÃÃÃÃooo!
Dei um pulo da cama, fui à varanda, deparei-me com um grande clarão, fumo e faúlhas que vinham das traseiras, da parte lateral da minha casa. Desci e verifiquei que eram os anexos do meu vizinho que estavam a arder. Local onde guarda a lenha, a palha, tudo o que é necessário para a lavoura e consumo de casa.
Como as paredes naquele local são contíguas, enchi vários recipientes com água, e em pijama naquela noite gélida, através de uma escada de madeira, várias vezes subi ao telhado escorregadio pela humidade que se fazia sentir, e atirava os baldes de água para atrasar o avanço do incêndio.
Com a chegada de três corporações de bombeiros de concelhos diferentes, o incêndio foi extinto após duas horas e meia.
Tudo começou com as cinzas e brasas mal apagadas retiradas da lareira, que foram depositadas num local muito próximo da matéria inflamável, causando assim a destruição da casa de habitação quase na sua totalidade.
Após o rescaldo, tomei um longo duche bem quente e assim pude voltar à cama, deitar-me e levantar-me tarde com aquele inferno no consciente.
O cabo telefónico derreteu e fiquei sem comunicação durante este tempo. Fiz duas participações da avaria, e por duas vezes que os técnicos apareceram, retiravam-se, dizendo que iam comunicar ao chefe, pois aquele tipo de avaria não era para eles.
E agora... como já tinha saudades vossas!!!... Voltei… para pôr a net em dia!!!
- Raios! Lá está mais uma vez o gado no camião do vizinho às patadas … lá em baixo os frequentadores do café, que já beberam um copito a mais… ou será algum caçador furtivo da noite?
Os estrondos subiam de intensidade, e de repente …Oh JoAÃÃÃÃooo!
Dei um pulo da cama, fui à varanda, deparei-me com um grande clarão, fumo e faúlhas que vinham das traseiras, da parte lateral da minha casa. Desci e verifiquei que eram os anexos do meu vizinho que estavam a arder. Local onde guarda a lenha, a palha, tudo o que é necessário para a lavoura e consumo de casa.
Como as paredes naquele local são contíguas, enchi vários recipientes com água, e em pijama naquela noite gélida, através de uma escada de madeira, várias vezes subi ao telhado escorregadio pela humidade que se fazia sentir, e atirava os baldes de água para atrasar o avanço do incêndio.
Com a chegada de três corporações de bombeiros de concelhos diferentes, o incêndio foi extinto após duas horas e meia.
Tudo começou com as cinzas e brasas mal apagadas retiradas da lareira, que foram depositadas num local muito próximo da matéria inflamável, causando assim a destruição da casa de habitação quase na sua totalidade.
Após o rescaldo, tomei um longo duche bem quente e assim pude voltar à cama, deitar-me e levantar-me tarde com aquele inferno no consciente.
O cabo telefónico derreteu e fiquei sem comunicação durante este tempo. Fiz duas participações da avaria, e por duas vezes que os técnicos apareceram, retiravam-se, dizendo que iam comunicar ao chefe, pois aquele tipo de avaria não era para eles.
E agora... como já tinha saudades vossas!!!... Voltei… para pôr a net em dia!!!
Subscrever:
Mensagens (Atom)



