domingo, 20 de dezembro de 2009

Feliz Natal e Bom Ano



Para todos nós...
Façamos para que seja sempre
Natal

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Sonhos de mar[e]ar



Para lá da costa, no meio do extenso oceano, felizes numa pequena piroga, rumámos numa aventura.
Uma repentina tempestade, igual a tantas outras, em qualquer idade, deitou por terra a nossa viagem.
Sem rumo e à deriva, íamos ficando sem pé, avistando apenas ao longe uma miragem.
O naufrágio estava presente e, abraçados aos destroços, remámos até à ilhota deserta.
Rotulei-a por “Osso da Baleia”, porque enterrada na fina areia, uma carcaça do grande mamífero que dantes cruzava os mares.
Arrastado pela corrente, vindo de um qualquer continente, uma bóia de cortiça, um emaranhado de fio de nylon, escondia dois anzóis.
Agora que fazer, onde apenas tenho sóis, que nos aquece de dia e à noite nem lençóis.
Desenrolo o fio entrelaçado mas em vão, porque é de vária dimensão, e o emaranhado é tal, que por este andar, nem pelo Natal.
Dia após dia alongo o fio para naquela água azul pescar e, do fio mais fino, com certa artimanha a ver se posso fazer uma rede para qualquer crustáceo malhar.
Ficámos até ao amanhecer, entretanto a mãe chamou. O pequeno-almoço estava pronto, era hora de levantar e ir preparar o presépio.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A capa



No passado Domingo foi o dia de apresentação do meu livro “Meu Tom e a Voz d’ Outrora".
Aproveitando a visita dos filhotes ao continente, durante o lanche ajantarado, (dois leitões à Bairrada, assados pelo je no forno a lenha), ofereci um exemplar a cada familiar ou amigo.
Como dissera antes, (não sei quando), num comentário ao Tiago “No sentido ”, um dia faria um livro, mas com a prata da casa.
Os posts publicados e mais alguns textos, deram origem a um volume com 183 páginas.
Não foi um livro feito “à podoa”, mas sim com instrumentos que tive ao meu alcance:
O pc, e a impressora, a prensa do banco carpinteiro, a antiga cisalha e máquina de costura da avó, cola branca, plástico autocolante e alguns conhecimentos adquiridos no IPLeiria.
Agora peço imensa desculpa a todos com quem convivo neste espaço, por não poder pôr o livro à venda, por este ser muito familiar , com passagens reais e ou "pintadas", das gentes de Terras de Sicó,
A próxima?!
Penso fazer uma estatueta em calcário, de uma personagem conhecida, para ver até onde vai a veia artística da escultura.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Pudera eu ter remos e zarpar





Pudera eu ter remos e zarpar
Para bem longe deste pilar
Que amarra o meu olhar

Pudera eu fugir ao tempo
Alcançar outra banda sem demora
Tarda a magia de um alicate
Para cortar a suave corrente
Sem vento do lado poente
Que sopre neste vale de pranto

É o fim da tarde e eu aqui
Escuto apenas o selvagem pato
Que ao longe no caniçal
Procura sítio de pernoitar.

Esta barca negra de pinho e pez
Antiquado ainda quem na fez
Um motor já era altura
Transbordar com tal bravura
Porque não há tempo a perder.

Homem vai a casa buscar
Os remos do barco d’ar
Que o rato no inverno rompeu
Atravessemos este baixa-mar
Para o lado de lá alcançar

Que o medo não é teu... é meu!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O sapateiro pobre



Havia um sapateiro que trabalhava á porta de casa todo o santíssimo dia cantava tinha muitos filhos que andavam rotinhos pela rua pela muita pobreza e à noite enquanto a mulher fazia a ceia o homem puxava da viola e tocava os seu batuques muito contente ora defronte do sapateiro morava um ricaço que reparou naquele viver e teve pelo sapateiro tal compaixão que lhe mandou dar um saco de dinheiro porque o queria fazer feliz o sapateiro lá ficou admirado pegou no dinheiro e à noite fechou-se com a mulher para o contarem naquela noite o pobre já não tocou viola as crianças como andavam a brincar pela casa faziam barulho e levaram-no a errar na conta e ele teve de lhes bater ouviu-se uma choradeira como nunca tinham feito quando estavam com mais fome dizia a mulher e agora que havemos nós de fazer a tanto dinheiro enterrar-se perdemos-lhe o tino é melhor metê-lo na arca mas podem roubá-lo o melhor é pô-lo a render ora isso é ser onzeneiro então levantam-se as casas e fazem-se de sobrado e depois arranjo a oficina toda pintadinha isso não tem nada com a obra o melhor era comprarmos uns campinhos eu sou filha de lavrador e puxa-me o copo para o campo nessa não caio eu pois o que me faz conta é ter terra tudo o mais é vento as coisas foram-se azedando palavra puxa palavra o homem zanga-se atiça duas solhas na mulher berreiro de uma banda berreiro da outra naquela noite não pregaram olho o vizinho ricaço reparava em tudo não sabia explicar aquela mudança por fim o sapateiro disse à mulher sabes que mais o dinheiro tirou-nos a nossa antiga alegria o melhor era levá-lo outra vez ao vizinho dali defronte e que nos deixe cá com aquela pobreza que nos fazia amigos um do outro a mulher abraçou aquilo com ambas as mãos e o sapateiro com vontade de recobrar a sua alegria e a da mulher e dos filhos foi entregar o dinheiro e voltou a sua tripeça a cantar e trabalhar como de costume

VIALE MOUTINHO

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ajudem a identificar... Obrigado



O símbolo



Próximo da chaminé




Do Forno da Cal

domingo, 1 de novembro de 2009

Apanha da azeitona

Este é um ano farto em azeite.
Foi na terra desabitada onde viveram os meus bisavôs carvoeiros, que durante algumas horas por dia apanhei a azeitona. Ao som do cantar dos pássaros, que diziam para eu deixar alguma para eles comerem, fui apanhando-a à minha maneira.
Como não tenho jeito de trabalhar com a vara, porque danifico a oliveira, empoleiro-me nos ramos e vergo-os até ao chão, prendo-os com uma corda a uma estaca para que com os pés assentes no chão, poder ripar mais facilmente a azeitona para cima do panal estendido. É rápido, como se estivesse a tirar o leite às cabritas.
Bolas!
Verguei demasiado este ramo!
Rachou!
Para o ano já não vai dar azeitona.
Paciência!
Ali próximo, uma grande quantidade de capões, mas deixo-os ficar porque tenho receio de os comer e desconheço a sua espécie.
À noite, depois de limpa a azeitona e escolhida a melhor para a água, para ser comida daqui a uns meses, e outra para ser retalhada (britada) para ser consumida na hora, depois de escaldada por duas vezes, levo-a para o lagar, onde a troco por doze litros e meio de azeite. Significa assim que apanhei cento e vinte e cinco quilos de azeitona. Não foi muito, e vi que não compensa a sua apanha, porque tive que pagar oitenta e cinco cêntimos por litro.
Tenho mais azeitona para apanhar, mas porque se encontra ainda verde,talvez daqui a quinze dias já esteja madura, e entretanto indicaram-me um lagar onde não se paga a maquia.
-Se houver por aí disponibilidades para a apanha?
Serão sempre recompensados!
Mas mais uma vez, foi uma forma de estar com a natureza, fazer alguns arranhões, passar umas horas diferentes, porque quando se tira a “gravata”, arregaça-se as mangas e mãos à obra.
É um viver diferente.
(Faltam as fotos que ainda não tirei)