terça-feira, 2 de março de 2010

Em tempo de chuva e frio







No dia anterior, o serviço meteorológico indicara mau tempo, ventos fortes e chuva intensa a partir da meia-noite. Porém, aqui por terras de Sicó, mais propriamente por Almártega, a intempérie foi mais intensa no dia de sábado.
O vento soprava forte logo de manhã e eu mantive-me na cama mais umas horas, depois de uma semana de intenso trabalho. Por volta das catorze, a luz foi-se embora. Aproximava-se a noite, e eu tive que abastecer a casa com água do tanque.
Os filhotes rodavam as torneiras e carregavam nos interruptores esquecendo-se da falta de corrente. Uma chapa de zinco solta de um qualquer barracão, voando com a força do vento, cortara um cabo eléctrico. O velho petromax, que há muito não funcionava, ainda estava operacional e o jarrican ainda continha petróleo suficiente para alumiar a casa durante a noite. A lareira acesa, chicharro (carapau) grelhado com batatas, grelos e cenoura do quintal, foram a nossa ceia.
A Jo aproveitou a luz do petromax para continuar o seu trabalho de design enquanto o Ti se deslocou à cidade para mais um jogo de Futsal.
Liguei o velho rádio a pilhas num canal de musica clássica, ao som da qual, comecei a escrever estes gatafunhos, achando tudo isto muito romântico. Instantes depois a Jo pediu que mudasse de posto porque já estava farta da música e da ópera.
Será que todos os jovens são assim? Não gostam da música que foi feita com todo o cuidado?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A cheia ao campo





Avisto-te ao longe, mas…
Como te conseguir alcançar
Esperar o entardecer? Não!
Que a cheia vaza devagar...
Estou ansioso por namorar

Uma barca vou desamarrar
Bela adornada como o teu olhar
Percorrer o teu caminho
Abalizado por junca submersa
A cheia sempre baza devagar...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Ai se ele cai...também se ergue...









As brechas que o tempo não perdoa existem, o templo pode ruir a qualquer momento.
Morada de culpas lavadas na presença do Mestre, purificadas por améns e preces, e também o corpo pela medicinal água que corre a teus pés, sob ocultos caminhos que os crentes pisaram, hoje extenso silvado que arranha quem no tempo tropeçou e te esqueceu.
Desesperam: na torre, o sino há muito adormecido e, nas paredes, os vitrais sumidos ao passo das escamas paridas e decapitadas da palmeira, na ansia d'um restauro que alegre a esperança das gentes.
Emaranhados arbustos selvagens formam o amieiro, o teu ósculo envolto em tentáculos efusivos que te abraçam; e bombardeada és por soldados que, lutando hoje, mancham a tua fronte rugosa com balas pluricolor, matando a fome à vida selvagem que a tua mata abriga.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009


Era um caminho estreito ,um poste pelo meio, e no cimo um rosto de mulher com vários olhos que se moviam em varias direcções. Por baixo um letreiro onde se podia ler:

“ O seu nome era Jesus Bem Pandira”

Ao lado, suspenso na cruz, clamavas:

“Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”.

Eu também lá estava!

Tão cobarde, nada fiz!

O poeta apontando para a lua comentava:

(Poeta é aquele que medita, transforma, movimenta e dá vida a cada palavra ).

Obrigado!

Se não tivesse esbarrado no poste, não teria meditado na Tua História da Salvação, nesta longa noite de sonho tão profundo onde o sono teimava em não chegar.

Que o mundo no próximo ano não nos crie mais confusões, e olhamos para Aquele que nasceu para nós e se revelou aos pequeninos, aos pastores, aos marginalizados.

Bom Ano

domingo, 20 de dezembro de 2009

Feliz Natal e Bom Ano



Para todos nós...
Façamos para que seja sempre
Natal

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Sonhos de mar[e]ar



Para lá da costa, no meio do extenso oceano, felizes numa pequena piroga, rumámos numa aventura.
Uma repentina tempestade, igual a tantas outras, em qualquer idade, deitou por terra a nossa viagem.
Sem rumo e à deriva, íamos ficando sem pé, avistando apenas ao longe uma miragem.
O naufrágio estava presente e, abraçados aos destroços, remámos até à ilhota deserta.
Rotulei-a por “Osso da Baleia”, porque enterrada na fina areia, uma carcaça do grande mamífero que dantes cruzava os mares.
Arrastado pela corrente, vindo de um qualquer continente, uma bóia de cortiça, um emaranhado de fio de nylon, escondia dois anzóis.
Agora que fazer, onde apenas tenho sóis, que nos aquece de dia e à noite nem lençóis.
Desenrolo o fio entrelaçado mas em vão, porque é de vária dimensão, e o emaranhado é tal, que por este andar, nem pelo Natal.
Dia após dia alongo o fio para naquela água azul pescar e, do fio mais fino, com certa artimanha a ver se posso fazer uma rede para qualquer crustáceo malhar.
Ficámos até ao amanhecer, entretanto a mãe chamou. O pequeno-almoço estava pronto, era hora de levantar e ir preparar o presépio.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A capa



No passado Domingo foi o dia de apresentação do meu livro “Meu Tom e a Voz d’ Outrora".
Aproveitando a visita dos filhotes ao continente, durante o lanche ajantarado, (dois leitões à Bairrada, assados pelo je no forno a lenha), ofereci um exemplar a cada familiar ou amigo.
Como dissera antes, (não sei quando), num comentário ao Tiago “No sentido ”, um dia faria um livro, mas com a prata da casa.
Os posts publicados e mais alguns textos, deram origem a um volume com 183 páginas.
Não foi um livro feito “à podoa”, mas sim com instrumentos que tive ao meu alcance:
O pc, e a impressora, a prensa do banco carpinteiro, a antiga cisalha e máquina de costura da avó, cola branca, plástico autocolante e alguns conhecimentos adquiridos no IPLeiria.
Agora peço imensa desculpa a todos com quem convivo neste espaço, por não poder pôr o livro à venda, por este ser muito familiar , com passagens reais e ou "pintadas", das gentes de Terras de Sicó,
A próxima?!
Penso fazer uma estatueta em calcário, de uma personagem conhecida, para ver até onde vai a veia artística da escultura.