sábado, 31 de julho de 2010

O livro dos fiados










No sótão do velho casaréu
Entre pó e teias de aranha
O livro dos fiados guardado.

Num baú de um amigo
E depois de tudo pago
Na data foi arquivado.

Petróleo azeite cloreto
Arroz massa e bacalhau
Uma conta de 30 escudos.

Nomes dos que já partiram
Fregueses nesta terra de paz
E de todo não sou capaz
Perpetuar este viver passado.

O saber naquele tempo
Na escola de seu pai aprendido
Dele fizera um homem às direitas
Contra ele nunca se enganava.

Como quisera ir mais além
Um empréstimo contraiu
E pagadas todas as letras
No vestido da pequerrucha
Para assim todo o mundo ver
Pelo entrudo as exibiu
Liberto d'um grande dever.

9 comentários:

Cata- Vento disse...

Tens andado a dobrar o Cabo das Tormentas? És um vencedor, João, e terás, com certeza, conseguido atingir os teus objectivos. Cá por casa ainda há um livro dos fiados mas nem todas as contas foram saldadas. O Avô perdoou tudo antes de morrer porque dar de comer a quem tem fome é um dos nossos deveres se o pudermos fazer.
Tenho andado ausente destas lides da escrita mas vou lendo os amigos. Tinha saudades tuas.

Beijinhos e saúde.

Bem-hajas!

Multiolhares disse...

Meu Deus há quanto tempo não via um livro desses.
Espero que esteja tudo bem contigo, ao tempo que não postavas
Bj

jo ra tone disse...

Caríssim(as)(os)

"O cabo das tormentas" tem-me dado muito que fazer.
Não foi em vão que escolhi este título, pois já premeditara todo este arrastar para o acontecimento histórico.
Peço que não me batam à porta para vos indicar os números da tombola que irão ser premiados,
porque não sei.
Um dia teremos O cabo da boa esperança. Aguardamos.
Beijinhos
Abraços

Vou visitando

gota de vidro disse...

Este livro existia naquelas mercearias antigas.

Hoje com as grandes superficies eles foram abolidos.

Há muito não te via pela blogosfera

Bom domingo e obrigada pela visita

bjgrande do lago

São disse...

Que bom saber que regressou! E muito obrigada por ter ido lá a casa!

Ainda me lembro do livro de fiados. Parece-me que, infelizmente, está iminente o seu regresso.

O poema? Agradou-me muito!

Uma feliz semaana com os seus.

luar perdido disse...

BOA João!!!
Há quanto tempo meu amigo! E que estreia de novo, tão mas tão deliciosas memórias, dos fiados, das lojas de bairro e das amizades verdadeiras.
Das cumplicidades entre freguês e comerciante, bons ou maus tempos, fazem parte da realidade do nosso país. Para ela caminhamos a passos largos, desta vez infelizmente.

Sejas bem aparecido. Feliz com o teu regresso às lides bloguistas.

Beijo enorme para ti e todos os teus

Filoxera disse...

Que interessante, este post.
Beijinhos.

gota de vidro disse...

Vim espreitar se havia algo de novo

Bom fim de semana

bjito da gota

xistosa - (josé torres) disse...

Fiados que chegado o fim do mês eram religiosamente pagos (salvo raríssimas excepções).e riscados do livro.
Recordo particularmente o "Tio Tobias", taberneiro, onde se comparava a "pomada" para os copos e o vinagre para as saladas.
Não sabia ler nem escrever, mas possuía uma lousa pendurada numa parede, bem à vista de todos, onde "escrevia" os débitos, tal como os homens das cavernas.
Não adianta ter nostalgia desses tempos, também existiam muitas mais coisas desagradáveis.

Gostei de recordar nas imagens.

Uma boa semana.