sábado, 24 de outubro de 2009

Lagostins!? Quem não gosta!



Com as primeiras chuvas do Outono poderemos encontrá-los nas estradas que atravessam os campos do arroz. São lagostins de água doce, vermelhos ou escuros, que saem das valas em busca de alimento ou zonas de desova. São vegetarianos e serve de alimento a outras espécies como, corvos, lontras ou cegonhas

sábado, 17 de outubro de 2009

Pó de Palha ou Cinzas e Co2

Bons tempos os de criança!
Acompanhávamos atentos todos os momentos que os adultos faziam ao trabalhar no arroz.
Desde o fazer as carradas nos carros de bois, o transporte e a descarga nas grandes eiras em dias de soalheiro.
O arroz era debulhado com os próprios animais, que andando em circulo horas a fio, pisavam até que o grão se desprendia totalmente da planta, descansando apenas na altura de virar o calcadoiro.
Faziam grandes médoas de palha, nas quais nos escondíamos quando brincávamos ao esconde-esconde. Os problemas surgiam passados alguns minutos: uma intensa comichão provocada pela palha, a que chamávamos (Pó d'Arroz). Muito nos ríamos quando as cachopas se coçavam……

Após a retirada do arroz do campo, já podíamos ir ao peixe nas valas, pois já não calcávamos o arroz, não fazíamos estragos. Utilizando poceiros ou crivos junto às marachas, conseguíamos apanhar uns robacos, ou até mesmo umas camaritas, com os quais, misturados com uns ovos que as nossa mães nos davam, fazíamos um excelente petisco para a merenda.
Foram tempos felizes.
Nos dias mais quentes de verão, as valas serviam de piscina para nos refrescarmos. Caminhando ao longo da vala com os pés no lodo, com um pouco de sorte podíamos encontrar um tipo de bivalve preto de tamanho grande, que nós oferecíamos aos adultos, porque só eles os sabiam cozinhar. Ficavam muito agradecidos. Pena é que essa espécie hoje não exista.
Fora da época do defeso poder-se-á ver nesses locais alguns pescadores à cana, que nas águas turvas, poluídas pela monda química, apanham algumas carpas e, na maioria, os indesejados lagostins, praga que invadiu nos últimos anos os arrozais. Penso que é apenas por desporto e que o pescado será para dar ao gato…




Por vezes os lavradores tinham que usar a zorra (na foto, o que está por baixo da junta de bois), para tirarem o arroz do campo, quando este já estava encharcado pelas chuvas de Setembro, ou se o terreno era mais olheiro.
Hoje, poucos aproveitam a palha, porque já não há gado por estas aldeias, a não ser que a utilizem, como eu,
para fazer a cama

das chocadeiras e poedeiras.

domingo, 11 de outubro de 2009

Quem me descalça esta bota



Neste Domingo de eleições, subi à serra
para ver se apanhava novos ares!
Mas...
O ambiente continua pesado e saturado.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O Casório

Para que tudo saísse bem no dia do casório, houve ensaios de cânticos na igreja paroquial, por ter uma excelente acústica.

Chegado o momento, uma grande chuvada acabava de se afastar, dando lugar a um sol que tornou a ilha ainda mais airosa e a bonita noiva ainda mais bela.

Na Igreja, algum nervosismo como é habitual, mas tudo decorreu com toda a normalidade. O órgão, as cordas, a flauta e as vozes estavam muito bem afinados e houve nos corações mais sensíveis uma comoção ao ouvir-se a Ave-Maria de Shcubert.

No fim, o arroz lançado aos noivos daria certamente para fazer um rico arroz doce ou à valenciana.

Uma manada teimava em não sair da estrada, atrasando o cortejo que se dirigia para o jardim para a sessão fotográfica.

No lindo jardim botânico depois de haver fotos para todos os gostos, a tarde começou a aquecer, bem assim como o ambiente já no restaurante à beira mar. A comida do Pico é uma maravilha! Espectaculâaaaar!!!

Todos gostaram, e para que a digestão se fizesse mais rapidamente, os artistas da noite anterior surpreenderam mais uma vez, mas desta com a ajuda da electrónica. E então não é que o noivo para além de Dj e de tocar que só visto, sabe cantar muito bem! (Já em criança era muito cantor... sai à mãe!!! lol)

Nos dias seguintes a festa continuou com todos reunidos à mesa no Cais Mourato, e as visitas à ilha foram uma constante para toda a gente até ao final das férias. Regressaram ao Contenente com a esperança firme de voltar ao Pico.


sábado, 19 de setembro de 2009

Despedida de solteiro


Na véspera, já noite, saímos do Cais Mourato em direcção ao Lajido.

Uma caravana de meia dúzia de automóveis percorria aquela estrada junto ao mar e terminado o asfalto continuámos a pé até encontrar o local escolhido pelos jovens para fazer a festa de despedida de solteiro.

Avistando luz em determinada direcção, chegámos a um local metido no denso arvoredo. Era uma adega, onde no seu exterior e pelo cheiro que pairava no ar, alguém fazia uns grelhados na brasa. Pedimos desculpa pela intromissão, porque afinal aquele local não era para nós. Alguém do grupo disse que seria por outro caminho mais acima, e lá fomos em fila indiana, seguindo o caminheiro, guiados pela luz do seu télélé até encontrar o esconderijo.

Fomos recebidos por uns jovens (um deles com um capacete ostentando um grande par de chifres na cabeça) que, na adega igual a muitas outras da ilha, tinham uma mesa posta, situada debaixo do telheiro, com umas travessas de saladas, churrasco (fêveras, chouriço, tiras, e salsichas) e outras prontas a sair, do grelhador a carvão.

Sentados, começámos com uma entrada de favas guisadas à moda do Pico, sangria caseira, cerveja e outras bebidas. Decorria toda aquela pândega quando aquele que cumprimenta os primos por: “ É primo dos porcos!”, puxou da viola, e outros com os diversos instrumentos de cordas, iniciaram uma sessão de música popular por todos conhecida (não esquecendo o fado), e onde todo o mundo cantava. Fomos surpreendidos pelos cagárros que ouvindo tamanha algazarra sobrevoavam este local rindo-se de nós com aquele riso característico que mais parece o das bruxas voando nas suas vassouras.

Um tempo depois ouve uma ordem:
- Paramos a música, toca a limpar, porque está na hora da sobre mesa!
Olhámos uns para os outros e eu pensei: Será que convidaram… Para a sobre a mesa… Humm... alguma exibição?!
O rapaz entra numa dispensa da adega, e minutos depois sai com uma bela fruta variada numa cesta, aguardentes e licores para animar ainda mais a noite.

Quanto àquele em que era depositada toda a atenção, ia cumprindo todas as praxes que lhe mandavam ( digo que não foram nada fáceis).

sábado, 5 de setembro de 2009

Açores... Férias e Lazer




Após uns dias de boda, (barriga cheia, praia, mergulhos, passeios, noite de Xutos e Pontapés), e porque não fazer nada também cansa, foi tempo de preparar o terreno para o relvado da nova casa, trabalhar a madeira e outras actvidades.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Até que enfim!

Até que enfim!
Já que não consegui desatar o nó que me sufocava, cortei a gravata.

Durante todos estes dias, experimentei uma nova forma de trabalho, tomei conhecimento prático, ficando assim a saber como se vive num local de atendimento púbico (secretaria).
Digo que não é tarefa fácil, pois houve momentos de grande afluência em que tivemos de acelerar o ritmo de trabalho, verificando-se um certo desgaste físico, que era minimizado com coisas doces... caseiras ou do supermercado que cada um levava e colocava na sacola para a “bucha” repartida.

Este curso não estava nos meus planos e, não tendo outra alternativa (visto que o desejado não funcionou), matriculei-me sem dar atenção que a disciplina predominante era a contabilidade. Foi uma aventura, uma corrida contra o tempo, ou mesmo um teste à minha capacidade física e mental ao inscrever-me num curso que não gostava, contrariando o que geralmente todos fazem, que é “escolher aquilo que mais gostam”.

O estágio foi numa IPSS. Comecei por trabalhos simples: Movimentação de contas de fornecedores e a distribuição pelas diversas valências; Separação do IVA; registo dos valores líquidos das facturas de diversos fornecedores; lançamentos no sistema operativo; criação e emissão de recibos; actualização e informatização de listagens em Excel, criação de tabelas; preenchimento de mapas; conferência dos dinheiros; ordenação de guias de entrega; organização de documentos recebidos, e outros.

Digo mais:
Qualquer funcionário, além do exercício das suas funções, pode e deve prestar serviços úteis à empresa ou instituição desde que tenha aptidões para o fazer. Foi o que me aconteceu. Passo a descrever uma ocorrência que colocaria em causa o normal funcionamento da construção do novo lar: Para que houvesse o mínimo tempo de paralisação nos trabalhos, tomei a liberdade de pedir uma máquina giratória e rebocar um veículo pesado que se encontrava atolado com materiais para a obra. Se assim não tivesse procedido, pois não vi outra alternativa, os trabalhos teriam paralisado por umas largas horas.

Afinal de contas valeu a pena este sacrifício. Sinto-me feliz por ter conseguido completar este curso, não obstante a vontade de desistir, porque se tal acontecesse juntar-me-ia às nove desistências que aconteceram, mas houve sempre algumas palavras de conforto da senhora directora de curso, dos professores e dos colegas em geral.
Fico feliz por ter tirado proveito do conhecimento teórico e prático, principalmente da disciplina de contabilidade que, de certa forma, é importante para a minha actividade profissional ou qualquer serviço voluntário que possa vir a realizar.
Aliás, é importantíssimo, porque ser pastor também requer fazer muitas contas com as cabritas, as ovelhas, os lacticínios e lanifícios, carcaças...
São Classes de Contas de Controlo Orçamental, Disponibilidades, Terceiros, Existências, Imobilizado, Fundo Patrimonial, Custos e Perdas por Natureza, Proveitos e Ganhos por Natureza, Resultados, Contas de Custos e Proveitos por Funções ou Actividades e Contas da Ordem.

Como se pode verificar, até para ser pastor é preciso ser doutor.