sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Branco como cal

Em toda a tua vida, não havia
O inferno pior que o ladrão
Aliado ao teu amigo ambiental
Ordenavas a limpeza do galho e do chão

Do teu interior o calcário empinado
Perecido pelo fogo ardente
Surges virgem de uma brancura sem igual
Sustentas famintas bocas de qualquer idade
A tua anti-séptica fórmula revestiu todo o lar

Hoje porém de silvados e espinheiros sufocado
A tua enorme boca - aberta até parece clamar:
- Oh veloz tempo que passa! Pára!
Estou velho mas quero ainda trabalhar!

Como cal assim eu fico
Quando te vejo abandonado neste momento
Branqueado como marfim
Fariam de ti um belo monumento



O forno da cal
Publicado por jo ra tone

6 comentários:

Cata-Vento disse...

Também há alguns fornos por aqui mas não sei se ainda são usados.
Quanto ao poema só sei dizer que temos poeta.

Bem-hajas!

Beijinhos

São disse...

Ver aquilo que conhecemos ao abandono tira-nos a cor do rosto, de facto.
Bom fim de semana.

Daniel Costa disse...

Jo Ra Tone

Para já apreciei a poesia e o próprio tema que me faz despertar recordações.
Lia e parecia-me tema que vivi, lembrei-me do velho forno de tijolo do Paimogo, tapado pela vegetação, existência de que ninguém me soube dar explicações.
Andei perto, um velho forno de cal!... Também conheci alguns activos.
Um abraço,
Daniel

Multiolhares disse...

Tudo aos poucos se vai perdendo, vai sendo legado ao abandono
beijos

Mara disse...

Jo
Lindas palavras.
Nunca vi um forno de cal...se me atrasar já não chego a ver :)
Bjs

Carla disse...

poesia com sabor a memórias de outros tempos
gostei muito de ler