
E agora três meses de estábulo...
quero dizer... estágio.
Mas devo ter tempo para passar de vez em quando por aqui,
pelo meu observatório...

Sábado foi dia de ginásio intensivo.
Após o pequeno-almoço, a minha ginástica matinal.
Coloquei um altere de cinquenta quilos de “nitrolusal” no carro, dirigi-me ao ginásio ao ar livre que fica a curta distância, e pegando na máquina de combustão forçada, dei voltas e mais voltas até este ficar fresco e macio. As bagas caiam e enterravam-se separadamente dez em dez centímetros, juntamente com o alimento. Arrumei a máquina, e continuei em passo de corrida:
Um, dois, três, quatro, deixar cair a pevide no rego, …
…cobrir com terra…
Um, dois, três, quatro, deixar cair a pevide no rego, …
… cobrir com terra…
Para terminar e para que o ginásio não fique infestado com qualquer praga de parasitas, peguei na mochila, e pulverizei-o com duzentos litros de desinfectante, que, caso não esteja adulterado ou falsificado, fará com que todo aquele espaço fique daqui a uns tempos com vinte e quatro pistas para se poder competir os cem metros [livres, passos, ou marcha atrás, (conforme imaginação)].
Regressei a casa, arrumei o fato de treino, tomei um duche, era já chegada a hora de almoço.
O resultado do meu esforço verificar-se-á quando for a altura da apanha das espigas e das abóboras, se o tempo for favorável.(Foto minha)
Dia de Inverno se transforma em luz
Com um raio no céu cinzento
Rios de lava profundo
Restam ocultos no firmamento
Raízes surgindo no escuro
Riscadas por mão poderosa
Quererão dizer

Minha aldeia é um acalento
Que agrada muita gente
Em, nada que fazer
Crivo cinza
cavo terra
No quintal vou entreter
As batatas estão à espera
O grelo a rebitar
Vejo além uma aberta
Vou a correr
semear
Na aldeia a vida é assim
Serro o toro
racho lenha
Para os velhinhos aquecer
não terem que dizer,
Ver no genro certa manha
Para fazer frente à crise,
Semeio,
colho
o próprio pão
Pão que não vem do padeiro
Mas do suor que cai no chão
Tempo frio,
transpirar
um ardente calor
liberto do interior
A caneta me robustece agora
no ginásio
Espero um dia
poder manter
a forma
como tantos ousam dizer
Com o tempo na aldeia nasce
Séries de versos sem fim
A cada instante uma rima,
Lira à noite…
…Só para mim

Chegado o esperado dia, subindo o sol no horizonte
Para neste dia te ver no cimo daquele monte
Prensado por aquela gente, envolto em cânticos e preces
Degrau em degrau teimoso
Em alcançar o teu recôndito canto
Penso logo que te vi, em tão húmida e sombria gruta
Cavada na rocha da íngreme encosta
Como pudeste aparecer
Será que na vizinha aldeia
Não houve ninguém para te acolher?
Tu és a luz, Senhora, que lá do alto brilha
E o caminho iluminas
Ao teu filho Jesus
Já o meu avô dizia
Quando o “catrapázio” lia.
Grazinam os sábios a tão honrada gente
Que daquele local ermo
As três "irmãs" se avistavam, era inalterado o ambiente
Assim também acreditava ver
Buarcos, Nazaré a poente
Da visita à feira antiga sita no cume do monte
É hora de comer o galo ao som do harmónio e da flauta
E alguma palheta afinada
Pelo palheto garrafão
É bom vê-los envolto em harmoniosa pândega
Levo para casa ao fim do dia
A alcofa que transborda
Uma simples poesia