segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

…Ninguém passa o que eu passei!!!

…Ninguém passa o que eu passei!!!
Hoje em dia nem sabem que vivem no mundo!
Quem é que hoje ia carregada com uma cesta à cabeça e outra debaixo da cova do braço para a Figueira vender!
Íamos a pé até ao Moinho e depois apanhávamos o comboio. Lembro-me que uma vez, quando lá cheguei, o comboio já tinha abalado. Valeu-me um homem que me passou numa barca, para o outro lado de lá do rio. Depois fui todo o caminho a pé, mas Deus foi por mim, vendi tudo o que tinha num instante e ainda tive tempo de apanhar o outro comboio para casa.
Naquele tempo a minha mãe mandava-me ir vender figos, e eu coitada, muito envergonhada, batia às portas das pessoas e perguntava:
-Ó minha senhora quer figos? Depois mais tarde já ia a cavalo numa égua. Houve uma vez, que as cancelas estavam fechadas, veio o comboio e a égua assustou-se, deu em fugir a galope sem parar.
Eu levava a rédea enrolada à mão e caí, fui d´arrojo atrás dela. A minha boca era só sangue. O que eu ganhei nesse dia, não deu para pagar ao médico e os remédios.
Quem é que hoje andava quase seis anos a namorar, sem dar um beijo um ao outro, como eu andei!
Namorei o meu home quase seis anos, e nunca demos um beijo um no outro…Não é como hoje! Hoje é só beijos e abraços e não sei mais quê! Eheheheheh…largam uns… arranjam outros!
Nas vésperas do casamento, depois da casa toda lavada, o meu home ainda me agarrou e fez umas cócegas, mas a minha mãe estava sempre por perto, com olho na gente, para ver o que fazíamos!
Ainda no dia do nosso casamento, a minha mãezinha perguntou-me:
- Ó Maria onde é que a gente vai dormir hoje?
Não sabia o que ela queria dizer! Não queria que eu ainda fosse dormir com o meu home naquela noite… Eu calei-me, e ela foi dormir no quarto ao lado do nosso.
Não lhe valeu nada…Os desejos eram tantos que passados nove meses nasceu o nosso Zé….

12 comentários:

quin[tarantino] disse...

Tempos idos que provam que em certas matérias hoje como ontem...

Tiago R. Cardoso disse...

Mesmo assim acontecia muito coisa não?

Gostei, bons momento que têm escrito aqui.

Sophiamar disse...

Outros tempos, outros pensares, outros viveres. Memórias do interior.Vida difícil, de muito trabalho. Tão diferente!

Beijinhosssss

Manuel Rocha disse...

De blog em blog cheguei aqui e já cá estou há um bom bocado, francamente agradado com a prosa e as deliciosas histórias que ela nos deixa...:))

Bloga Comigo disse...

Talvez tenha vindo para ficar se quiseres blogar comigo. Eu quero blogar contigo.
Bjos

multiolhares disse...

Antigamente era mesmo diferente
Vida mais dura, mais recatada
Mas existiam mais valores
São épocas, a evolução trás
Modificações, umas melhores,
Outras nem tanto

Beijinhos
luna

luar perdido disse...

Sabe bem reviver nas tuas palavras tempos de outrora. Duros, marcantes mas que eram a VIDA na sua verdadeira expressão. Sim....Quem hoje passaria por tudo isto e acharia natural? Quem não se revoltaria ou simplesmente viraria costas com um "basta! Mas que chatiçe! E eu lá nasci para aturar isto?"
Belo texto, voltei atrás...Faz bem relembrar "estórias" da nossa História.

Beijo grande

Maria Luar disse...

gostei das memórias que evocas. tempos passados mas o mesmo amor.
Abraço
*

Aran disse...

:)
Outros tempos!

Bem já era tempo de deixar a minha marca! ;)

Tenho passado por aqui em silêncio...
Obrigada pelas visitas no meu cantinho

Beijinhos e inté

PS: O que me ri com o teu ultimo comentário, gostei! jinhos

Sophiamar disse...

Voltei para reler e, apesar da vida penosa de que nos falas, ainda consegui rir.

Beijinhossss

Bloga Comigo disse...

Vida dura, dura vida.
Talvez já tenhas lido o livro de hoje.
Bloga comigo.
Bjos

Açoreano disse...

VóVó Maria Ingélica só há uma... E se não existisse dificilmente era inventada!!
:)